UM CALABRÊS VIGARISTA
A Colônia volta a ficar desassistida, e os serviços religiosos ficam confiados ao padre Carlos Blees de São José do Hortêncio e ao Padre Bartolomeu Tiecher da Feliz, que aqui estiveram em janeiro de 1878, novembro de 1879 e dezembro de 1880.
A falta de assistência religiosa, além de deixar ao desamparo as almas dos italianos, também fazia com que os espertalhões se aproveitassem da situação, como ocorreu numa ocasião em que chegou à Colônia um bem falante padre italiano, não se sabe surgido de onde, e que começou a pregar. Este padre, que a história não conseguiu preservar o nome, de pronto se tornou querido dos imigrantes. Certo dia o padre comunicou que fora chamado pelo Bispo e deveria ir à Porto Alegre, provavelmente para receber instruções para a instalação da Paróquia.
Antes de se despedir de seus paroquianos, o padre sugeriu que todos os que tivessem relógio - não eram muitos, é certo - a ele os entregassem para que ele, indo a Porto Alegre, levasse a um relojoeiro para uma boa limpeza. O padre foi e levou as poucas riquezas dos italianos, e jamais voltou à Colônia. Tempos depois souberam os caxienses que aquele padre era um calabrês, refinado vigarista, fugido de Buenos Aires, e que se especializara em se fazer passar por padre. Os enganados imigrantes, resolveram esquecer o assunto, e por muitos anos não falaram mais em relógio.
Escrito por Luiz Carlos Ponzi às 07:20 PM
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O PADRE ESTAVA BÊBADO
Os funcionários públicos, brasileiros com nomes lusos e alguns franceses, administram a Colônia Caxias, enquanto os imigrantes vão aumentando as áreas destinadas às plantações, o que vai acarretar um excedente na produção de alimentos Que são comercializados na Sede Dante e exportados para os Campos de Cima da Serra que, de sua vez, mandava para Caxias os seus próprios excedentes de alimentos, notadamente o charque e o apreciado queijo serrano.
Os que chegaram a Serra Gaúcha no início de 1875 eram, praticamente todos, católicos praticantes, mas, como já sabemos, por ter sido a emigração muito mal conduzida pela aristocracia italiana, os emigrados não tiveram acompanhamento religioso em sua aventura ultramarinha, ao contrário dos emigrantes alemães que vieram para a América no mais das vezes, já acompanhados pelo 'pfarrer', que além de aplicar os ensinamentos de Deus, também foram os primeiros professores, ministrando as aulas no idioma germânico.
Nesse tempo, na Província de São Pedro, a Igreja Católica tinha somente quatro dioceses - Uruguaiana, Santa Maria, Pelotas e Porto Alegre - e a Colônia Caxias pertencia à Paróquia de São José do Hortêncio, no Caí, da Diocese da Capital, e o primeiro capelão a oficiar na nova Colônia foi o padre Antonio Passaggi da ordem alemã dos Palotinos, que foi nomeado em 19 de maio de 1877. Padre Passaggi veio das Antilhas e foi agregado à imigração no Rio de Janeiro.
Chegando à Colônia Caxias, o Padre Passaggi oficiava em uma pequena cabana feita de taquaras, nas proximidades do cemitério, no local onde hoje é a quadra formada pelas ruas Moreira César e Garibaldi, entre as ruas Pinheiro Machado e Bento Gonçalves, e depois serviu de igreja uma pequena casa localizada onde hoje é a esquina da Avenida Júlio de Castilhos com a rua Garibaldi.
Padre Passaggi ficou pouco tempo na Colônia, isso em razão 'de suas fraquezas pela bebida', tanto que, numa ocasião, 'num delírio etílico' como elegantemente disse o historiador Padre Ernesto Brandalise, ou numa 'bruta sbòrnia como se dizia na época, alguns paroquianos lhe aplicaram uma boa peça, e ele celebrou um casamento entre dois homens, um deles transvestido de mulher.
Escrito por Luiz Carlos Ponzi às 07:17 PM
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