"Com "Um Pouco de
História" vou mostrar a vocês, caros leitores, um pouco da
história do Rio Grande do Sul,
com ênfase na região Nordeste do Estado
(Serra Gaúcha), que foi colonizada por imigrantes vindos da Itália a
partir do ano de 1875, e que aqui se estabeleceram num local que era
chamado de "Campos dos Bugres" mas que, oficialmente, era os fundos da
Colônia Nova Palmira, depois Colônia Santa Tereza de Caxias, mais adiante
Caxias e, por fim, em 1945, Caxias do Sul.
Obrigado pela visita e
lembre-se que devido a esta página ser um Blog, a leitura é sempre feita
de baixo para cima! O texto está seguindo uma ordem! Comentários são a
alegria de quem escreve! Um forte abraço!"
Luiz Carlos Ponzi
A SEDE DANTE
Transferida de Nova Milano, a sede da Colônia ficou na Quinta Légua, onde a Diretoria de Terras e Colonização, sob o comando do Major Augusto de Miranda e de Hermínio D'Ávila instalou a barraca-escritório, o almoxarifado, o barracão e o cemitério. A esta sede da Colônia foi dado o nome de 'Sede Dante', não se sabendo ao certo o porquê do nome. Seguramente não seria uma homenagem ao poeta Dante Alighieri, pois que os imigrantes em sua maioria eram analfabetos e os da Diretoria de Terras por certo não iriam querer homenagear aquele poeta estrangeiro. Mais tarde, Caxias presta sua homenagem ao poeta planetário, e dá seu nome à principal praça da cidade. Bem mais adiante ainda, em razão dos desatinos de Adolfo e de Benito – os namorados de Eva e da Petrachi – a pena do poeta é retirada da praça e, em seu lugar é colocada a espada do guerreiro Duque de Caxias, de nome Luiz Alves de Lima e Silva, mas que em alguns registros vem nominado sem o Silva.
Os imigrantes, distribuídos em suas colônias iniciam o trabalho de derrubada da mata, para dar lugar às áreas de plantação e de habitação, enquanto na Sede Dante vão se instalando os funcionários da Coroa e alguns outros imigrantes que preferem a sede aos lotes de colônia, dedicando-se estes últimos ao comércio e às manufaturas. A Sede Dante, mesmo que em local bem acidentado, recebeu um traçado urbano em forma de tabuleiro de xadrez, não descuidando seus fundadores em reservar espaço destinado para as praças.
Até fins de 1875, Nova Milano ficou sendo a sede da Colônia, passando depois para a Quinta Légua, isso por iniciativa do Diretor de Terras Luiz Antônio Feijó Junior - um grande latifundiário - chamado 'o visionário' pois percebeu que Nova Milano ficava na extremidade sul das terras a serem colonizadas, e o melhor seria um local mais ao centro da região. Não fosse essa atitude de Feijó Junior, talvez Caxias do Sul não existisse onde hoje a encontramos. Nada acontece por acaso.
Em 11 de abril de 1877, por comunicação de João Dias de Castro, Vice-Presidente da Província, é que a região dos 'fundos de Nova Palmira' oficialmente recebe o nome de Colônia Caxias. Era a terceira colônia da serra povoada por imigrantes italianos. As outras duas eram Dona Isabel – homenagem à Princesa Isabel, filha de Pedro II - atual Bento Gonçalves - e Conde D'Eu – o francês marido de Isdabel - hoje Garibaldi. Não devemos nos esquecer que Dona Isabel era a Princesa, filha de Dom Pedro II - a que assinou a Lei da Abolição da Escravatura - e o Conde, era o francês, seu marido.
Silveira Martins - a quarta colônia - mais tarde é organizada na região de Santa Maria, no centro da Província., e seu nome é uma homenagem a Gaspar Silveira Martins que no final do período imperial fora Presidente (entenda-se governador) da Província (entenda-se, também, Estado), fundador do Partido Federalista e um dos chefes da Revolução Federalista de 1893, que ficou conhecida como “a revolução dos degolados”. Nessa guerra entre irmãos, os federalistas eram conhecidos por “maragatos”, e usavam um lenço vermelho no pescoço.