"Com "Um Pouco de
História" vou mostrar a vocês, caros leitores, um pouco da
história do Rio Grande do Sul,
com ênfase na região Nordeste do Estado
(Serra Gaúcha), que foi colonizada por imigrantes vindos da Itália a
partir do ano de 1875, e que aqui se estabeleceram num local que era
chamado de "Campos dos Bugres" mas que, oficialmente, era os fundos da
Colônia Nova Palmira, depois Colônia Santa Tereza de Caxias, mais adiante
Caxias e, por fim, em 1945, Caxias do Sul.
Obrigado pela visita e
lembre-se que devido a esta página ser um Blog, a leitura é sempre feita
de baixo para cima! O texto está seguindo uma ordem! Comentários são a
alegria de quem escreve! Um forte abraço!"
Luiz Carlos Ponzi
GARIBALDI NA PICADA DAS ANTAS
O local de destino destes imigrantes italianos era anteriormente chamado de 'Campos do Bugres', denominação dada por Antônio Machado de Souza, que encontrou vestígios- índios não - de acampamento de índios no local onde hoje é Caxias do Sul, isto em 1864, quando saiu de Montenegro e foi até São Francisco de Paula dos Campos de Cima da Serra, e este local, depois reservado para os italianos, ficava, aproximadamente, a meio caminho entre aquelas duas vilas. O desbravador Antônio Machado de Souza demorou 51 dias para fazer por primeiro o percurso de ida e volta, e comprovou sua estada nos Campos de Cima da Serra levando para Montenegro diversos produtos, dentre os quais o apreciado queijo serrano só existente naquela região de campos.
Bem antes, esta região da serra gaúcha já havia sido visitada por Giuseppe Garibaldi, que empreendeu uma marcha com suas tropas, visando levantar o cerco imperial sobre as tropas do general Bento Gonçalves – que, é bom não esquecer, também é da Silva - aquartelado em Viamão, isso em 1840, porém nada tendo o italiano revolucionário registrado naquela época, e só em suas memórias, Garibaldi dedica um capítulo especial a essa manobra militar, no local que ele denomina de 'Picada das Antas', região que se inicia nos vales dos rios Caí e Taquari, para findar nos altiplanos dos campos de Vacaria e São Francisco de Paula. Segundo o relato feito pelo general italiano, tudo ocorreu na estação das chuvas - o inverno - e uma grande enchente fez bloquear a marcha da tropa pela 'temível floresta das Antas'. Na passagem por aquela região inóspita e desconhecida, mulheres, crianças e os feridos foram ficando pelo caminho, enquanto as montarias e animais de carga eram abatidos para alimentar a tropa.
O General que ajudou a unificar a Itália, bem provavelmente não poderia imaginar que alguns poucos anos depois, patrícios seus, por muitas razões expulsos da pátria - dentre elas a unificação - iriam desbravar e povoar essa terra que tantos sofrimentos infringira a seus comandados.
Os italianos (lombardos, vênetos, trentinos) e tiroleses - os do Tirol eram mais austríacos que italianos - começam a chegar ao 'Campo dos Bugres' para povoar 'os fundos de Nova Palmira' no início de 1875. A partir de São Sebastião do Cai, onde eles haviam chegado de Porto Alegre, via fluvial, até o Porto dos Guimarães, e seguiam pela estrada que vai à Picada dos Boêmios, passando por Feliz, Morro das Batatas e Alto Feliz. Um pouco além da Picada dos Boêmios, local habitado por imigrantes alemães vindos da Boêmia, os italianos eram alojados num barracão, local que eles batizaram de ‘barraccone’, depois Nova Milano, notando-se que eles não tiveram grandes dificuldades de locomoção, pois que até o local habitado pelos boêmios já, naquela época, existia uma picada que cortava a mata, não havendo mais animais ferozes nem os temidos índios.
Sem muita certeza, parece que em 20 de maio de 1875, chegaram ao local que depois seria chamado de Nova Milano, as três primeiras famílias de imigrantes que se instalaram na Colônia dos Fundos de Nova Palmira, como Caxias se chamou por primeiro. Eram as famílias de Stefano Crippa, Luigi Sperafico e Tommaso Radaelli.
Como o meu paciente leitor pode depreender, os italianos que demandaram à Colônia Caxias naquele início de 1875 - há quem diga que eles chegaram em 1874 - não tiveram necessidades de vencer obstáculos de grande monta, nem lutar contra animais e índios ferozes, conforme asseguram alguns cronistas, pois o caminho, mesmo que precário, até Barracão, já estava habitado pelos alemães que prestaram toda a sorte de auxílio aos italianos.
Os germânicos povoaram a Picada do Boêmios a partir da metade do ano de 1872, e lá se estabeleceram os Lorenz, Dreheler, Kandler, Dittrich,, Hildebrand, Fel, Hubner e outros mais que bem recepcionaram os italianos. Assim, quando chegou Rodolfo Felix Laner, tido como o primeiro italiano a chegar ao ‘Campo dos Bugres’, o caminho até Nova Milano já estava habitado por loiros ‘tedeschi’.
Os recém chegados italianos que, ao contrário dos alemães que foram envolvidos na Guerra dos Farrapos, encontraram a Província de São Pedro em boa paz, pois a Guerra do Paraguai havia terminado há pouco tempo e as lutas no Prata eram apenas distantes recordações. Os italianos que aqui chegaram a partir de 1875, somente no futuro vão se envolver em movimentos de lutas de irmãos, na Revolução Federalista de 1893, e nas revoluções de 1923 e de 1930, mas isso pertenceria ao futuro.
Estes imigrantes que chegaram à encosta superior da serra do nordeste gaúcho eram, em sua grande maioria, procedentes do Vêneto, região do norte da Itália - os do sul, principalmente calabreses, chegaram no final do século IXX e início do XX - e aportaram ao Brasil pelos portos de Santos ou Rio de Janeiro, e aqui no Sul através do porto de Rio Grande, e depois, com navios menores, via Lagoa dos Patos, chegavam a Porto Alegre. Da capital da Província, em barcos ainda menores, eles seguiam para os portos fluviais de Montenegro, aqueles que se destinavam às colônias de Dona Isabel (Bento Gonçalves) e Conde D' Eu (Garibaldi), e os que estavam sendo enviados à Colônia Caxias desembarcavam no porto de São Sebastião do Caí.