UM POUCO DE HISTÓRIA

por Luiz Carlos Ponzi

www.umpoucodehistoria.zip.net

 

     

"Com "Um Pouco de História" vou  mostrar a vocês, caros leitores,  um pouco da história do Rio Grande do Sul, com ênfase na região Nordeste do Estado (Serra Gaúcha), que foi colonizada por imigrantes vindos da Itália a partir do ano de 1875, e que aqui se estabeleceram num local que era chamado de "Campos dos Bugres" mas que, oficialmente, era os fundos da Colônia Nova Palmira, depois Colônia Santa Tereza de Caxias, mais adiante Caxias e, por fim, em 1945, Caxias do Sul.

Obrigado pela visita e lembre-se que devido a esta página ser um Blog, a leitura é sempre feita de baixo para cima! O texto está seguindo uma ordem! Comentários são a alegria de quem escreve! Um forte abraço!"

Luiz Carlos Ponzi


OS ITALIANOS ESTÃO CHEGANDO

Os barcos repletos de almas esperançosas fazem a penosa travessia do grande mar, mas muitos italianos, de todas as idades, não iriam chegar, não iriam conseguir suportar a dureza da viagem, e para estes infelizes a terra da promissão seria o fundo do mar. Mas, os que aqui aportaram, mesmo com um futuro de muitas dúvidas e incertezas, já se consideravam outras pessoas, e eles até já se atreviam a esquecer a fome e a miséria, esquecer a dura luta pela sobrevivência esquecer as perseguições políticas, o medo da conscrição militar impositiva e também esquecer alguns filhos bastardos, como o caso do calabrês Rocco, ou uma esposa velha e rabugenta, mas que depois por aqui apareceu e recapturou o elegante Randazzo, ou também uma indesejada batina havida por imposição paterna, como foi o caso de Giuseppe 'Peppino' que antes de dar um chute na preta veste, lá no Sul da Província, serviu como pároco em Santa Isabel do Taim, nos anos de 1890/93.

Os italianos que haviam optado pelo Brasil começaram a chegar e foram distribuídos primeiramente na região sudeste, onde se incorporaram nas fazendas de café e de cana de açúcar de São Paulo e Espírito Santo, e esta mão de obra imigrada substituiu a servil de origem africana, pois que, no terceiro quartel do século dezenove, a escravidão já não mais interessava aos donos das terras, o sistema não tinha mais sustentação, e o processo de abolição da escravatura era irreversível. Os loiros imigrantes, com muitas vantagens, vinham substituir os escravos negros que durante quase 400 anos haviam sustentado a economia brasileira.



Escrito por Luiz Carlos Ponzi às 10:53 AM
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ELES CANTAVAM...

Aqueles que foram para o mar e aqui conseguiram chegar, entoavam bela canção, ainda hoje cantada por seus descendentes, cujos versos são uma apertada síntese daquilo que eles sentiam e do que esperavam da nova terra:

‘D’Italia noi siamo partiti

(Da Itália nós partimos)

Siamo partiti co lo nostro onore

(Partimos com nossa honra)

Trinta e sei giorni de maquina e vapore

(Trinta e seis dias de máquina à vapor)

E nel`Mèrica noi siamo arrivà

(E na América nós chegamos)

Mèrica, Mèrica, Mérica

(América, América América)

Cosa sara la sta Mèrica

(Como será esta América)

Mèrica, Mèrica, Mèrica

(América, América, América)

L'è un bel massolini de fior

(É um belo ramalhete de flores)

L'Mèrica l'`e lunga e l'`e larga

(América é longe e é grande)

L'`e formata de monti e de piani

(Ela tem montanhas e planícies)

E com líndustria dei nostri italiani

(E com o trabalho de nossos italianos)

Abian fondato paesi e cita’

(Eles vão criar vilas e cidades)

Eles cantavam 'L`Mèrica'; eles cantavam a alegria de encontrar uma nova terra; cantavam a esperança, mas eles estavam se despedindo para sempre daquela gente que os haviam feito passar fome e medo, e então com raiva eles também cantavam:

‘Noi, italiani lavoratori,

(Nós italianos trabalhadores,)

Alegri andiamo nel Brasile

(Alegres partimos para o Brasil,)

E voialtri, d`Italia signori

(E vocês donos da Itália)

Lavoratevelo il vostro badile’

(Trabalharão com a vossa enxada)

Adeus Itália. Adeus fome, medo, dor. Adeus donos de terra e de gente. Adeus gente nossa. Nós não vamos mais morrer de ‘pellagra’, vamos morrer sim, mas nunca mais de fome. Fome, nunca mais.



Escrito por Luiz Carlos Ponzi às 08:09 AM
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Luiz Carlos Ponzi é historiador, nascido em 20/09/1942, natural de Guaporé - RS e radicado em Caxias do Sul - RS desde 1948.

Bacharelou-se em Direito pela Universidade de Caxias do Sul em 1975. Vinte e cinco anos depois, licenciou-se em História pela mesma Universidade.

Ponzi dedica-se à pesquisa histórica, com ênfase na história da imigração italiana no estado do RS.

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