ELES CANTAVAM...
Aqueles que foram para o mar e aqui conseguiram chegar, entoavam bela canção, ainda hoje cantada por seus descendentes, cujos versos são uma apertada síntese daquilo que eles sentiam e do que esperavam da nova terra:
‘D’Italia noi siamo partiti
(Da Itália nós partimos)
Siamo partiti co lo nostro onore
(Partimos com nossa honra)
Trinta e sei giorni de maquina e vapore
(Trinta e seis dias de máquina à vapor)
E nel`Mèrica noi siamo arrivà
(E na América nós chegamos)
Mèrica, Mèrica, Mérica
(América, América América)
Cosa sara la sta Mèrica
(Como será esta América)
Mèrica, Mèrica, Mèrica
(América, América, América)
L'è un bel massolini de fior
(É um belo ramalhete de flores)
L'Mèrica l'`e lunga e l'`e larga
(América é longe e é grande)
L'`e formata de monti e de piani
(Ela tem montanhas e planícies)
E com líndustria dei nostri italiani
(E com o trabalho de nossos italianos)
Abian fondato paesi e cita’
(Eles vão criar vilas e cidades)
Eles cantavam 'L`Mèrica'; eles cantavam a alegria de encontrar uma nova terra; cantavam a esperança, mas eles estavam se despedindo para sempre daquela gente que os haviam feito passar fome e medo, e então com raiva eles também cantavam:
‘Noi, italiani lavoratori,
(Nós italianos trabalhadores,)
Alegri andiamo nel Brasile
(Alegres partimos para o Brasil,)
E voialtri, d`Italia signori
(E vocês donos da Itália)
Lavoratevelo il vostro badile’
(Trabalharão com a vossa enxada)
Adeus Itália. Adeus fome, medo, dor. Adeus donos de terra e de gente. Adeus gente nossa. Nós não vamos mais morrer de ‘pellagra’, vamos morrer sim, mas nunca mais de fome. Fome, nunca mais.
Escrito por Luiz Carlos Ponzi às 08:09 AM
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