TUTTI PICCOLINI
Os dormitórios, nos piores porões, eram abarrotados de beliches múltiplos. Duas ou mais crianças dormiam em um mesmo leito. Homens ficavam em um e mulheres em outro dormitório, todos muito baixos, úmidos, com pouca ventilação e terrivelmente fedorentos.
Havia pouco controle do tipo de gente que embarcava, mas uma coisa pode-se afirmar com certeza: os emigrantes italianos, em sua grande maioria eram de baixa estatura, ‘tutti piccolini’, Tal assertiva decorre de uma estatística do exército italiano que demonstra que entre 1862 a 1865, quarenta por cento dos jovens que se apresentavam para o serviço militar eram dispensados porque media menos de 1,56m, e os médicos militares atribuíam o deficiente crescimento em razão de um também deficiente aleitamento nos primeiros meses de vida e por uma subalimentação no decorrer da infância e adolescência. Também notaram os médicos que bastava um ano de incorporação para que o recruta, agora bem alimentado, tivesse um aumento significativo de peso e altura. Era um dos terríveis efeitos da 'pellagra'.
Partir para a América era o desejo de quase todo o italiano, e a idéia primeira era ir para a Argentina que oferecia as terras sem custo algum, ao contrário de parte dos EUA e do Brasil onde a terra era vendida. Mas, não importava o destino: eles queriam fugir da Itália, da miséria, da fome e da ‘pellagra’.
Escrito por Luiz Carlos Ponzi às 05:14 PM
[]
[envie esta mensagem]
|