OS PREPARATIVOS PARA O ÊXODO
O grande êxodo vai colher todos de surpresa, pois ninguém estava devidamente preparado para o grande movimento, pois nem o Governo, o Parlamento, a Igreja e os partidos políticos - ‘ la Destra’ dos conservadores e ‘la Sinistra’ das reformas e das revoluções - haviam imaginado que o processo teria a dimensão que efetivamente teve. Mas não havia outra solução: iniciou-se o grande processo emigratório, e como queriam os poderosos, os ‘nullatenente’ não iriam morrer de fome na Itália.
Nesse momento surgiu então um tipo de agenciador de viagens, patrocinado pelo Estado ou pela Igreja, que iria induzir a que os italianos fossem para este ou aquele lugar, e muitos dos famintos embarcaram na expectativa de encontrar na América ‘il paese de la Cuccagna’, isto é, a terra da abundância, onde os pães e salames cresciam nos galhos das árvores, onde chovia grãos de trigo e onde nos rios, ao invés de água, corria leite em alguns e vinho em outros. 'La Cuccagna', era, no século XIII, o imaginário da fartura, da abundância, e se origina de um documento francês intitulado ‘Le Pays de Cocaigne’. Estes agenciadores eram também agentes dos países destinatários da massa de famintos, que muito enganaram e iludiram os italianos, contando-lhes sobre as maravilhosas riquezas e facilidades que encontrariam nas novas terras. Grandes enganadores, velhacos e mentirosos.
Havia necessidade de se organizar as viagens e lotar de forma mais completa possível os velhos navios, na sua maioria, antigos veleiros ainda remanescentes do grande comércio escravocrata, alguns modernizados com motores a vapor.
Estes barcos de precárias condições haveriam de levar o maior número possível de emigrantes, não importando em que condições eles viajassem. Os velhos barcos partiam principalmente dos portos de Gênova na Itália, Marselha e L`Havre na França, e viajavam completamente abarrotados conforme comprova carta de um emigrante que relatou, muito tempo depois, que ‘nós estávamos no porão e mesmo na coberta, como sardinhas num barril’ mas disso não sabiam aqueles outros que ainda estavam para embarcar para ‘il paese de la Cuccagna’.
Escrito por Luiz Carlos Ponzi às 04:36 PM
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